AVALIAÇÃO E DIAGNÓSTICO DO TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA (TEA)
O
autismo é um transtorno do desenvolvimento humano, caracterizado por
dificuldades na área da linguagem, comportamentos estereotipados e repetitivos
e inadaptação no relacionamento interpessoal.
Ainda
existem divergências de estudos em relação a vários aspectos do autismo, visto
que ainda não se chegou a uma causa específica e que sua manifestação varia de
indivíduo para indivíduo, seu diagnóstico por vezes é difícil e causa dúvidas e
sofrimento na família.
Atualmente
o número de diagnóstico de autismo cresceu e cada vez mais, pais e
profissionais buscam preparo e informações para lidarem da melhor maneira com
as pessoas acometidas com o transtorno. A primeira dificuldade que é enfrentada
diz respeito ao diagnóstico, como ele é feito, que instrumentos são usados,
quais são os sinais de alerta e qual profissional procurar, são dúvidas que os
pais encontram quando decidem procurar ajuda.
O
processo de avaliação e diagnóstico do transtorno do espectro autista é
complexo, devido a grande diversidade de manifestação e também da variedade de
ocorrência de sintomas. Além disso, o perfil de desenvolvimento de cada
criança e as comorbidades presentes diferem em cada caso, explicam Silva
e Mulick (2009).
As autoras descrevem alguns componentes essenciais para a avaliação:
Identificação
de sinais de risco. Mesmo que o profissional não seja especialista, mas
trabalhe com a população infantil, é necessário reconhecer os sintomas
centrais, e posteriormente encaminhar a criança para uma avaliação mais
rigorosa e por uma equipe interdisciplinar especializada.
Entrevista
clínica inicial com os pais ou responsáveis. Elemento fundamental no processo
de avaliação, no qual informações importantes podem ser obtidas, entre elas a
história social e familiar da criança (dinâmica familiar, aprendizado), história
médica da criança (problemas mentais, médicos, gravidez, parto, primeira
infância, marcos do desenvolvimento, hospitalizações, exposição a tóxicos,
infecções, problemas significativos para a saúde etc).
Instrumentos
auxiliares no diagnóstico. Atualmente existem vários instrumentos que auxiliam
o diagnóstico de sintomas do autismo, mas os resultados de qualquer um desses
instrumentos não devem ser utilizados como determinantes de um
diagnóstico.
Avaliação
médica. O diagnóstico é estabelecido com base em critérios comportamentais,
entretanto as avaliações médicas são imprescindíveis para um diagnóstico
diferencial, pois a mesma investiga comorbidades, distúrbios de ordem
neurológica, metabólica e genética. Outras condições são investigadas, como
problemas sensoriais (visão, audição), linguagem (dispraxia verbal, disartria,
apraxia), assim como problemas alimentares e de sono.
Avaliação
psicológica. Um dos elementos principais da avaliação, pois fornece informações
detalhadas acerca do funcionamento cognitivo e adaptativo da criança, essencial
para um plano de intervenção individualizado. De acordo com a faixa etária,
diferentes testes são utilizados para uma mensuração de habilidades específicas
que apresentam, e em que áreas de funcionamento exibem dificuldades.
Por
último, conforme Silva e Mulick (2009), é realizado o encaminhamento para
outros profissionais e para intervenções apropriadas, nesse momento determina
se algum encaminhamento ainda se faz necessário, incluindo terapeutas
ocupacionais, fonoaudiólogos, geneticistas, e também a família é encaminhada
para programas educacionais específicos, como de intervenção comportamental
intensiva, treinamento de pais voltado para a eliminação de problemas de
comportamento da criança. Assim, as avaliações psicológicas anualmente são
recomendadas, para monitorar o progresso da criança e revisar o programa de
intervenção recebido por ela.
A
avaliação é o primeiro passo desse processo, que sempre causa de alguma maneira
sofrimento em ambas as partes. Fica evidente que uma avaliação eficiente
diminui a dor e alcança melhores resultados na vida do autista. Ela deve ser
feita sempre que necessário, buscando sempre compreender o autismo e facilitar
seu aprendizado.
REFERÊNCIAS
SILVA, M.;MULICK, J. A.. Diagnosticando o transtorno
autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicol.
cienc. prof. [online]. 2009, vol.29, n.1, pp.116-131. ISSN
1414-9893. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932009000100010.
Acesso em 8 de agosto de 2018.


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